Acelerador travado em carro automático, voltando ao tema…

Em 2014, meu leitor Ãngelo levantou o tema, depois de ver uma reportagem na TV. Com cada vez mais carros automáticos sendo vendidos no Brasil, o tema foi assunto de dois novos leitores.

Atualizo o post…

O Ângelo, em 2014, estranhou as orientações da reportagem e resolveu saber o que eu acho sobre o caso.

Esta situação é mais comum do que parece. Pessoas habituadas aos carros manuais, ao dirigir automáticos, se confundem com os pedais e pisam no acelerador como se fosse o freio. Como a força necessária ao freio é muito maior que a usada no acelerador, o pedal afunda até o chão e por vezes fica preso no tapete, disparando o carro, que está engrenado (em Drive).

Casos notórios no Rio, como o do carro que saiu de dentro de uma garagem, atravessou todas as pistas e calçadas da avenida e só parou nas areias da praia do Leblon, e o do carro que ficou pendurado na altura do quinto andar na Avenida Rui Barbosa, foram parar nos jornais.

Voltando à dúvida dos leitores, recomendo que num caso destes, a primeira coisa a fazer é manter a calma e desligar a chave do carro, pois aí se corta a alimentação do motor e o carro vai parar em poucos metros.

É verdade que neste caso a assistência hidráulica da direção deixa de funcionar, deixando-a muito pesada e difícil de manobrar, e há que cuidar para que a posição da chave não acione a tranca da direção, mas ainda assim é a opção mais rápida e segura de sair da situação de risco.

Tentar colocar a alavanca do câmbio no neutro é outra opção, mas requer perícia, ela pode não funcionar (o motor estará em alto giro) e há a hipótese de se engatar uma outra marcha, como a ré, agravando a situação. Lembre que este será um momento de tensão e risco.

Há anos vi um manobrista destruir um raro Santana automático ao retirá-lo de uma garagenm subterrânea de um restaurante paulista. Ele pisou fundo para subir a ladeira (à moda dos manobristas), o acelerador travou e ele cruzou a rua, colidindo com um carro estacionado, o carro batia e voltava, por mais duas ou três vezes e aí ele engatou a ré e desceu a ladeira em disparada, destruindo o Santana na primeira coluna da garagem. Felizmente ninguém se machucou.

Por estas e outras, recomendo: desligue o motor, mantenha a chave no contato para não travar a coluna de direção, ligue o pisca-alerta e deixe o carro parar. Durante a redução de velocidade, na maioria das vezes, será mais fácil colocar a alavanca em Neutro.

Comprar um SUV 0 km, na casa dos R$ 80 mil.

Meu amigo JR quer comprar um SUV (ou crossover), 0 km, na casa dos 80 mil reais (baixos). Ele não é PCD, nem tem CNPJ, ou seja, pagará o preço de mercado. Ele precisa de um carro com razoável espaço interno, bom porta-malas, econômico e, de preferência, automático.

Missão quase impossível, com este limite, as opções não são muitas. Vamos a elas, em ordem alfabética, com avaliações qualitativas:

Chery Tiggo5 1.5 automático – ano/modelo: 19/20, preço: 83 mil reais, rede de concessionárias: pequena, valor de revenda: incerto, prestígio: em ascenção, espaço: razoável, acabamento: razoável, atualização tecnológica mecânica: obsoleto, nível de acessórios: alto, segurança: mediana, economia de combustível: ruim.

Chevrolet Tracker 1.0 turbo automático – ano/modelo: 20/21, preço: 79 mil reais, rede de concessionárias: grande, valor de revenda: bom, prestígio: alto, espaço: grande, acabamento: bom, atualização tecnológica mecânica: alta, nível de acessórios: médio, segurança: alta, economia de combustível: boa.

Ford Ecosport 1.5 automático – ano/modelo: 20/21, preço 83 mil reais, rede de concessionárias: grande, valor de revenda: ótimo, prestígio: grande, espaço: apertado, acabamento: bom, atualização tecnológica mecânica: média, nível de acessórios: baixo, segurança: média, economia de combustível: média.

Hyundai Creta 1.6 automático – ano/modelo: 20/21, preço 80 mil reais, rede de concessionárias: média, valor de revenda: bom, prestígio: médio, espaço: médio, acabamento: bom, atualização tecnológica mecânica: baixa, nível de acessórios: médio, segurança: média, economia de combustível: ruim.

Jeep Renegade 1.8 automático – ano/modelo: 20/20, preço: 76 mil reais , rede de concessionárias: média, valor de revenda: ótimo, prestígio: alto, espaço: bom, acabamento: ótimo, atualização tecnológica mecânica: média, nível de acessórios: bom, segurança: alta, economia de combustível: ruim.

Renault Duster 1.6 CVT – ano/modelo: 20/20, preço 83 mil reais, rede de concessionárias: grande, valor de revenda: bom, prestígio: médio, espaço: ótimo, acabamento: ruim, atualização tecnológica mecânica: baixa, nível de acessórios: baixo, segurança: média, economia de combustível: ruim.

Renault Captur 1.6 CVT – ano/modelo: 20/20, preço 88 mil reais, rede de concessionárias: grande, valor de revenda: bom, prestígio: médio, espaço: ótimo, acabamento: médio, atualização tecnológica mecânica: baixa, nível de acessórios: baixo, segurança: média, economia de combustível: ruim.

VW S-Cross 1.0 turbo – ano/modelo: 20/21, preço 89 mil reais, rede de concessionárias: grande, valor de revenda: ótimo, prestígio: alto, espaço: bom, acabamento: bom, atualização tecnológica mecânica: alta, nível de acessórios: médio, acabamento: bom, segurança: alta, economia de combustível: ótima.

Vale comentar, estes são valores anunciados na segunda quinzena de novembro de 2020, na sua maioria, referentes a modelos automáticos em suas versões mais simples. Versões com a mesma mecânica mas níveis de acessórios e acabamento mais caprichados podem ter preços acrescidos em mais de 20 mil reais.

Há que cuidar, como sempre digo, de mil em mil, acaba se comprando uma Ferrari de mais de milhão.

Etanol ou gasolina, o que é mais econômico usar?

Já publiquei aqui no BLOG uma teste de longa duração, feito com o Fiat 500 (Sport MultiAir Flex Auto) da minha esposa, rodando longos períodos apenas com um combustível (etanol ou gasolina comum) para avaliar o consumo e o custo do quilômetro rodado. Naquele post ensinei como realizar o mesmo teste e os respectivos cálculos para você fazer no seu carro e no percurso que costuma trafegar.

Desde que comecei a usar o meu Renegade 2020 (Longitude Flex Auto) repeti o teste, em blocos de aproximadamente 1100 quilômetros cada, anotando todos os abastecimentos e usando a referência de preços do posto que quase sempre abasteço.

Com esta iniciativa, já rodei mais de 4400 km e completei dois blocos com etanol (com os preços de R$ 3,499 o litro) e dois blocos com gasolina comum (com os preço de R$ 4,479 o litro). Nestas condições, com médias horárias muito parecidas, cheguei ao custo do km rodado com gasolina de R$ 0,51 e no etanol, R$ 0,53.

Nestas condições o custo do km rodado com gasolina é 4% mais barato que rodar com o etanol.

Vale destacar, se o preço do etanol estivesse igual à 70% do preço da gasolina comum, a situação se inverteria, com o custo do km rodado no etanol sendo 6% mais barato que rodar na gasolina.

Fica a dica! É fundamental ficar atento nos preços dos combustíveis e saber as características de consumo do seu carro no seu tipo de uso rotineiro.

Trocar o iX-35 por outro crossover, bem equipado.

Meu amigo MM decidiu trocar seu Hyundai iX-35. Diferente da maioria dos proprietários do iX-35 que conheço, o MM experimentou o que há de pior no carro, que concentrou muitos defeitos de fábrica, reparados em garantia (de 5 anos), mas que fizeram com que ele ficasse sem carro muitas vezes e perdesse a confiança (ou a paciência) na marca.

Como tem dois filhos (crianças que não usam mais carrinho) o generoso espaço do iX-35 não é mais necessário. MM está focado no HR-V da Honda (a versão com o motor 1.5 turbo) e no T-Cross da VW (o 1.4 turbo). Ambos são ótimas escolhas, mas sugiro que ele também dê uma avaliada no Ford Territory (1.5 turbo), no Audi Q3 (1.4 turbo) e no Chevrolet Tracker (1.2 turbo).

O MM também se interessou pelo Jeep Compass (2.0 aspirado), alertei para o alto consumo (se comparado ao das outras opçoes analisadas).

Para o MM, o carro precisa ter teto solar, câmbio automático, motor econômico, muitos equipamentos embarcados, segurança alta e boa dinâmica.

Nas suas versões mais completas, podemos achar nos sites de venda de carros na internet, os carros sugeridos pelos seguintes preços:

  • Tracker Premier por: R$ 120 mil
  • T-Cross por: R$ 131 mil
  • Compass Limited Flex: R$ 135 mil
  • HR-V Touring por: R$ 145 mil
  • Compass Limited Diesel 4×4: R$ 160 mil
  • Territory Titanium por: R$ 190 mil
  • Q3 Prestige por: R$ 224 mil

Por conta do preço, o Compass Diesel*, o Territory e o Q3 estão fora da prioridade.

Ficam para comparação o T-Cross, o Tracker e o HR-V. O Tracker tem o menor motor, mas é muito moderno no projeto de carroceria e no conjunto motor/câmbio. O HR-V tem um motor moderníssimo, mas com carroceria já muito batida, deve estar prestes a mudar. Já o T-Cross, que tem ótimo conjunto motor/câmbio, deixa a desejar no espaço interno e porta-malas, mas esbanja no painel totalmente digital.

Recomendei ao MM que leve a esposa para um teste drive em cada um antes de decidir, pois as 3 primeiras opções são bastante diferentes entre si, e como ela será a principal motorista, a adaptação à dinâmica do carro e à manobrabilidade, serão fundamentais para uma convivência pacífica.

Os 3 são ótimas opções para a proposta da família. Boa sorte na escolha!

*Se a família do MM pretender rodar muito com o carro novo, vale a pena fazer as contas, pois o custo do km rodado no diesel é bem menor e pode ser vantajoso pela economia no combustível e pelo maior preço de revenda.

O que são os motores de bloco grande e de bloco pequeno?

Quem anda assistindo os programas americanos de corridas de arrancada (no quarto de milha) e os programas de restauração de carros clássicos, toda hora está ouvindo as expressões BLOCO GRANDE e BLOCO PEQUENO, mas afinal o que é isso?

Podemos fazer uma divisão clássica, onde bloco grande e bloco pequeno são categorias informais dos motores V8, com comando de válvulas por haste e balancim (pushrod).

Embora normalmente (e obviamente) os motores de bloco grande sejam Continuar lendo

Tiggo 8, turbo GDI é tudo o que o anúncio na TV transparece ser ?

A CAOA fez um ótimo trabalho ao trazer a produção dos carros da Chery para o Brasil e incorporar padrões de qualidade e atualização tecnológica em seus veículos. A linha Tiggo ficou bem mais bonita e incorpou vários avanços com relação aos modelos Chery pré-CAOA.

No caso do Tiggo 8 GDI, o anúncio veiculado na TV transparece ser um carro acima do que de fato é. Vamos aos fatos: Continuar lendo

Pneus, entendendo o que está escrito neles.

Cada pneu tem suas medidas e características, entender o que significam pode ajudar a quem precisa trocá-los, sem necessidade de manter a mesma marca que os originais.

Um pneu designado por 205 70 R 16 92Q, significa que se trata de um pneu com largura da banda de rodagem de 205 milímetros, que tem altura do ombro do pneu igual a 70% da largura da banda de rodagem, que é um pneu de construção radial (R), e feito para ser montado em rodas de 16 polegadas. Estas são as características básicas, mas há Continuar lendo

Economizador de combustível ligado na OBD2, funciona?

Muita gente anda falando sobre um economizador de combustível vendido na Internet, ligado à porta OBD2 (aquele conector que fica debaixo do painel e se conecta o scanner) e que promete economizar combustível. O produto custa aproximadamente R$ 60.

Não conheço o produto, mas adianto que não há a menor chance de entregar o que promete (economia de combustível). Um circuito com este preço de venda e Continuar lendo