Está pensando em comprar um carro 100% elétrico no Brasil? Tenha cuidado e analise todas as condições de contorno.

Já coloquei aqui no BLOG o link para a entrevista que dei para o Professor Armando Cavanha, sobre a compra de um carro elétrico no Brasil. Na época respondi a ele que “ainda não compraria um carro elétrico no Brasil” e ainda mantenho minha posição.

Para os empolgados com a inegável economia no valor do km rodado (também já fiz esta comparação em posts aqui no BLOG) há muitos outros fatores reais a analisar e outros tantos que não passam de “lendas urbanas”.

Sempre vale a máxima, ao ver um texto ou vídeo alarmista, contra ou a favor de alguma coisa, desconfie do conteúdo. Se for sobre carros, pergunte por aqui – blogdoronaldomartins@gmail.com.

Muito se tem falado sobre as baterias dos elétricos, que são pontos frágeis destes carros e que facilmente determinam a “perda total” do carro mesmo em caso de pequenos acidentes. Isto é um exagero, pode ocorrer, mas em casos raríssimos. Vale lembrar, pequenos acidentes que atinjam a coluna B de um carro (seja a combustão ou elétrico) e que gere um vinco no teto (o que é fácil de acontecer), vai gerar uma perda total no laudo da seguradora, ou seja, não é só por conta das baterias que um pequeno acidente pode gerar esta situação de fato. Generalizar é um perigo! O alarmismo é típico de quem quer “likes” e repostagens em seus vídeos.

É fato que as grandes baterias dos elétricos são um novo modo de falha, mas isso não deve ser motivo de impedimento para se comprar um destes. Chamo a atenção para outros fatos, estes bem reais:

  • se você mora em apartamento, seu prédio tem instalação para recarga?
  • na sua cidade é permitido instalar carregadores para carros elétricos nas garagens de prédios residenciais localizadas no subsolo? (no Rio de Janeiro é proibido).
  • se você não puder carregar seu carro elétrico onde mora, há postos de recarga rápida próximos da sua casa ou do seu trabalho?
  • você usa o carro frequentemente em viagens longas?
  • nestes percursos longos há postos de recarga rápida no caminho e no destino?
  • na sua cidade há oficinas autorizadas pelo fabricante do seu futuro carro elétrico para fazer a manutenção do mesmo?
  • quantos anos você pretende ficar com este elétrico antes de trocá-lo? (lembre que ainda não há um cenário confiável sobre o mercado de elétricos usados no Brasil)

No momento, vale dizer, que elétricos semi novos (especificamente os modelos mais simples) têm apresentado depreciação bem pequena, por vezes até inferior aos carros convencionais, o que é positivo.

Para mim, que moro no Rio, num prédio da década de 1970, com garagem subterrânea e faço viagens eventualmente longas (para destinos com poucas opções de recarga), os elétricos ainda não me servem. Pense bem no seu caso particular antes de comprar um.

Qual a rampa máxima que um veiculo consegue subir?

Hoje, na TV aberta, um programa popular replicou um vídeo postado na Internet, que mostrava uma rampa “impossível” de ser vencida. Um especialista ouvido, disse que a rampa para ser vencida não pode exceder os 45 graus. Ele tem razão, as Leis da Física assim preconizam.

Para usar o jargão dos projetistas de estrada, a rampa máxima seria a de 100%, o que equivale a 45 graus, mas é muito raro um veículo conseguir este feito.

Para se ter uma ideia (e criar parâmetro de comparação), os veículos fora-de-estrada militares têm como requisito de certificação, superar uma rampa de 60% (aproximadamente 30 graus). Naturalmente vencer uma rampa de 30 graus pode parecer pouco (o número é pequeno), mas é uma subida e tanto!

Vale lembrar que os veículos militares devem também descer a mesma rampa de 60% (tão difícil quanto subir).

Se você nunca tinha visto medir uma rampa em %, vai aqui uma explicação (e um diagrama). Uma rampa de 10% equivale a dizer que a cada 100 metros na horizontal a rampa se eleva em 10 metros. Uma rampa de 30%, a cada 100 metros na horizontal, a rampa sobe 30 metros.

Numa estrada, o trecho de serra, não costuma superar 10%, o que já é uma “serra” bem íngreme.

Para entender a Física envolvida, vamos analisar as condições limite:

. rampa de 100%

. coeficiente de atrito máximo (pode variar de 0 a 1) e

. veículo parado nesta rampa de 45 graus.

Para ficar parado na rampa, na iminência de subir a rampa, a força de atrito (FA) deve ser igual à componente da força peso (P) na direção da rampa.

A fórmula FA = P . sen 45 , mas como sabemos, a força de atrito é o produto do coeficiente de atrito (neste caso 1, que é o máximo) multiplicado pela normal à rampa. A normal à rampa é igual ao peso (P) vezes o cosseno de 45 graus.

Na fórmula, FA = 1 . P . cos 45. Isto leva a P . sen 45 = 1 . P . cos 45 , o que é verdade e possível e, neste caso, o veículo fica parado.

Já se tivéssemos um ângulo de rampa maior que 45 graus, o cosseno deste ângulo será maior que seu seno, o que leva-nos a concluir que a a componente da força peso na direção da rampa será sempre maior que a força de atrito máxima, ou seja, o veículo escorrega, descendo a rampa (independente da vontade do motorista e do torque disponível nas rodas).

Mais uma guerra e mais uma crise do petróleo…por aqui é bom entender como isso nos afeta.

Como bem identificou Daniel Yergin (autor do livro The Prize), as guerras acontecem em torno do petróleo, sendo muitas vezes, por causas declaradas diversas, mas no fundo, o petróleo é a questão central, antes, durante ou depois de cada uma.

A guerra EUA/Israel x Irã, é mais uma, que fez disparar o preço do petróleo da casa dos 60 dólares o barril, para mais de 110 !

Sem sucumbir à tentação de falar sobre quais países ou corporações ganham com a guerra e a elevação do preço do petróleo, vou falar apenas sobre como ela nos impactará, além do óbvio aumento de preços.

No Brasil os preços da gasolina e do diesel já subiram nas bombas, e o da gasolina ainda nem subiu nas refinarias, já que refinam petróleo brasileiro e a Petrobras, até agora, está segurando para não aplicar a “paridade internacional”. Como maior produtora de gasolina, ela baliza o mercado (até certo ponto…).

O diesel subiu nas refinarias, mas com uma manobra fiscal do governo federal, o aumento nas bombas deveria ser de poucos centavos, mas disparou na escala de vários reais. Filme já visto algumas vezes….

Vale lembrar, 25% do diesel consumido no Brasil vem do exterior, importado de países que seguem à risca as leis de mercado, sobe o Brent, sobem os derivados, tudo cotado em dólares. As distribuidoras e os postos no Brasil, entretanto, já estão precificando o preço da reposição, com aumento do valor nas bombas.

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Um leitor atento observou… é um câmbio EDC no Duster (Dacia)!

No post recente que falei do sistema inovador de tração 4×4 do híbrido Dacia (grupo Renault) Duster, não comentei que o câmbio automático era de dupla embreagem (EDC), ou seja, é um câmbio automatizado, não é automático.

Para quem não conhece e não leu o post aqui no blog sobre os tipos de câmbios automáticos (abril/2024) vale resumir:

  • As caixas de dupla embreagem são câmbios automatizados (não são automáticos), com dois eixos primários, com uma embreagem para cada eixo, permitindo que a central eletrônica “entenda” a vontade do motorista e engate a próxima marcha a ser usada, resultado numa troca de marchas muito rápida e eficiente (na condução esportiva).
  • Estas caixas não contam com o conversor de torque e, portanto, requerem os mesmos cuidados que as caixas manuais com embreagem de fricção (disco e platô), estes cuidados precisam ter observados em seu uso, para evitar desgaste prematuro dos elementos de fricção, tal como sustentar o carro parado numa ladeira sem o pé no freio, apenas pisando levemente no acelerador (prática imprópria também nos câmbios automáticos convencionais, mas com consequências diferentes e menos flagrantes).

Aqui no BLOG também publiquei um post informando como estes câmbios de dupla embreagem funcionam, com desenho esquemático que facilita o entendimento.

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Tração 4×4 a tecnologia avança…

Em 2021 um programa de TV trouxe o assunto TRAÇÃO 4×4 e gerou dúvidas aos leitores. O assunto é recorrente aqui no BLOG, mas não custa fazer uma atualizada rápida…

Tração nas 4 rodas quer dizer que o veículo recebe, no eixo dianteiro e no traseiro traseiro, a “força” do motor (no jargão popular). Recentemente o grupo Renault/Dacia inovou no segmento dos 4×4, criando um sistema inédito.

Nos 4×4 como eram os Jeeps Wyllis/Ford, fabricados aqui no Brasil até a década de 1980, havia uma diferencial traseiro, um diferencial dianteiro e uma caixa de transferência, acionada manualmente por alavanca no assoalho do Jeep, onde se podia escolher, tração traseira, tração 4×4 e tração 4×4 reduzida. O saudoso EE4 da ENGESA, também fabricado no Brasil, tinha o mesmo esquema, mas a caixa de transferência não tinha reduzida, as opções eram: tração traseira e tração 4×4.

Na mesma época, os Land Rover Defender, importados, tinham a tração 4×4 integral, ou seja, no lugar da caixa de transferência havia um diferencial central, o que permitia ficar com a tração integral (4×4) ligada o tempo todo. Este é um sistema mais caro de fabricar e de manutenção mais complexa (são 3 diferenciais…um dianteiro, um traseiro e um central).

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Piloto automático?

Desde os anos 1980 alguns carros de luxo já contavam com o “piloto automático” (como ficou conhecido aqui no Brasil). Os primeiros sistemas eram controles de velocidade de cruzeiro (cruise control, no jargão automobilístico americano). Sua adoção chegou aos carros de classe intermediária na década de 1990 e se popularizaram nos anos 2000 (nos EUA é difícil encontrar um modelo de carro novo que não conte com o sistema).

A nomenclatura brasileira pode enganar os desavisados, piloto automático de verdade seria o sistema que dirige o veículo de forma autônoma (já presentes nos sedãs da Tesla há mais de 10 anos). Estes estão cada vez mais aprimorados, com a incorporação de sistemas de reconhecimento de imagem mais precisos e algorítmicos de tomada de decisão baseados em IA (com computadores embarcados cada vez mais rápidos). Em alguns países, taxis com direção autônoma já prescindem da presença de um motorista.

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Jeep Renegade T-270 chega aos 25 mil km.

Meu contrato de assinatura (com a LOCALIZA MEOO) chegou aos 30 meses e o Renegade está com 25 mil km.

Quando completou 24 meses, o Renegade apresentava os seguintes problemas:

  • barulho de peça solta na coluna de direção, na altura do volante
  • barulho na suspensão dianteira, requerendo aperto
  • instabilidade do motor/câmbio em baixas velocidades, quando usando etanol o problema se agravava
  • dificuldade de pegar com motor frio, quando usando etanol o problema se agravava
  • palhetas do limpador de para-brisa desgastadas
  • rangido no pedal do freio (presente desde antes de completar um anos de uso)
  • necessidade de alinhamento da direção
  • barulho na forração da porta do motorista, ao encostar a perna ao dirigir

Depois de “lutar” para levar o Jeep para revisão, entreguei num centro de atendimento da LOCALIZA, em São Conrado, no Rio de Janeiro. O Jeep foi levado para uma oficina “parceira”, no bairro Itanhangá, na qual eu não entregaria nem minha Caloi10 para fazer uma revisão….

Como era de se esperar, dada a precariedade da oficina, o Jeep voltou com TODOS os problemas relatados, apesar de ter ficado nela por três semanas.

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Estacionar um carro automático, mais uma lenda urbana na Internet.

Um “especialista” da Internet está ganhando muitos cliques na postagem do seu vídeo, que tenta criar um cenário de incerteza para os donos de carros automáticos, os quais, segundo ele “estacionam seus carros de forma errada”.

Dois amigos me mandaram o vídeo e perguntaram se fazia sentido, minha resposta é NÃO !

Não vou repetir aqui toda a sequência elaborada que ele propõe que seja feita a cada estacionamento. O procedimento dele não prejudicará nenhum câmbio automático, mas é absolutamente desnecessário.

Resumindo, segundo ele, ao estacionar e colocar a alavanca em P (parking) sem antes acionar o freio de estacionamento (ou de mão) causa desgaste prematuro do câmbio.

Antes de comentar, vou destacar alguns FATOS:

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Motores a álcool, qual a razão de terem saído do mercado?

Os motores a álcool começaram a ser fabricados no Brasil no final dos anos 1970, foram uma resposta do Brasil à crise do petróleo que atingiu o mercado mundial. Seu sucesso foi imediato, chegando a representar mais de 90% dos veículos novos vendidos no mercado interno. Entretanto, na década de 1980, o PRÓ-ÁLCOOL caiu em descrédito, quando o etanol faltou nos postos (reflexo do cenário, mercado e safra).

Nos anos 1990 a tecnologia FLEX, também capitaneada por empresas brasileiras, chegou ao mercado, com carros que podiam consumir qualquer proporção de etanol ou gasolina, misturados ao gosto do motorista. A confiabilidade e a praticidade do sistema mascararam uma verdade, um carro FLEX não está otimizado para gasolina ou para o álcool, ele é uma solução “em cima do muro”, que privilegia a segurança do abastecimento, mas não a eficiência energética. A solução caiu nas graças do mercado, que já não queria mais carros a gasolina ou a álcool, queria carros flex.

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Ford Focus 2025, ST Line, gasolina, manual, seis marchas.

O hatch com pegada esportiva (à moda dos hatches da BMW), mostra que a Ford sabe fazer automóveis bons de dirigir, direção direta, precisa, câmbio bem escalonado e motor de respostas rápidas, com bom nível de consumo. Nos pouco mais de 400 km que rodei, ele fez média de 16,4 km/h, entre cidade e estradas.

O acabamento interior e construtivo da carroceria são muito bons, o isolamento acústico ótimo e o conforto ao rodar é um destaque, mesmo num carro muito baixo e de curso curto na suspensão.

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