Embreagem nos carros de câmbio manual. Usar bem evita despesas desnecessárias.

Em 2014 abordei o tema embreagem no post https://carrosemduvida.com/2014/12/10/mitos-e-verdades-da-internet-1-manter-o-pe-na-embreagem/ tratando de mitos que estavam sendo divulgados na Internet. No post confirmei que a prática de deixar o pé sobre o pedal da embreagem é nociva ao sistema e que deve ser evitada.

Desta vez venho alertar que, ainda mais nocivo para a embreagem, é “segurar” o carro numa ladeira usando o acelerador e a embreagem. Nestes casos, o carro fica parado na ladeira já que o motorista vai modulando os pedais do acelerador e da embreagem, fazendo com que o disco e o platô de embreagem deslizem e aqueçam de forma inadequada, causando danos às duas superfícies, com desgaste prematuro, e, consequentemente, despesas extras de manutenção.

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Limpador no vidro traseiro, qual a razão de alguns modelos de carros não terem?

Numa conversa entre amigas, uma questionou a outra, por qual razão alguns carros não têm limpador no vidro traseiro e outros serem equipados com este “acessório”. A Fernanda, que é minha amiga e fez parte de conversa, me mandou a pergunta e respondo aqui, com razões econômicas e técnicas.

Por muitos anos, carros que precisavam de limpadores nos vidros traseiros não saiam de fábrica com este “acessório” por uma questão de economia. Em 1991 comprei um Uno Mille zero km, o carro mais barato do Brasil naquele ano, e o carrinho vermelho não tinha limpador no vidro traseiro (o vidro ficava opaco em estradas empoeiradas e em dias de chuva), era horrível dirigir nestas condições, não vendo nada para trás…

Mas há questões técnicas e práticas, os carros do tipo “hatch” (sem bunda, ou dois volumes) ao se deslocarem, formam na traseira um turbilhão de ar que arrasta poeira e água (na chuva) de volta para a carroceria do carro, ou seja, o turbilhão suja o vidro traseiro, daí a necessidade do limpador de “para-brisa” traseiro. Veja o diagrama na figura a seguir.


Já nos carros sedã (três volumes, ou com bunda) o ar escoa por cima do porta malas e o turbilhão é menor e mais longe do vidro traseiro, e por isto não acumula muita sujeira ao andar na chuva ou na poeira, e pode prescindir do limpador traseiro. Veja o diagrama a seguir.

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Peso, cargas e desempenho.

Um dos posts mais visitados no meu BLOG antigo é o que trata de Peso em Ordem de Marcha e de Peso Bruto de um veículo (veja em http://carrosemduvida.blogspot.com.br).

O tema voltou a mim recentemente numa conversa com conhecidos. Prometi atualiza e repostar, falando sobre a influência do peso e da carga no desempenho de um carro. Esta é uma dúvida recorrente, e antecipo, a influência é grande.

O desempenho de um carro depende de muitos fatores, os principais são:

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Mais uma tecnologia de carro híbrido chega ao Brasil.

Em novembro de 2021 publiquei aqui no Carro Sem Dúvida um post explicando os tipos de híbrido que já funcionavam no Brasil. Relembrando…

O híbrido mais frequente é o “full hybrid”, que tem um motor a combustão que participa da tração do veículo (movimento) e também aciona um gerador que carrega as baterias de tração, estas (um grande conjunto) aciona um motor elétrico, capaz de movimentar sozinho o carro, quando as baterias estão carregadas. Os carros híbridos tecnicamente mais evoluídos são capazes de gerenciar a força dos dois motores (combustão e elétrico) para, em conjunto, otimizarem a performance ou a economia do carro. Nestes carros a energia das frenagens é convertida em carga elétrica para as baterias, otimizando a condução destes híbridos principalmente no trânsito urbano.

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Coeficiente aerodinâmico, o que é e como influencia na performance do seu carro?

Cx é o coeficiente de arrasto aerodinâmico e é determinado pelas formas da carroceria do carro. Descrição complicada? Mas é simples de entender…. (as figuras a seguir vão ajudar).

O Cx é medido por um número adimensional (não tem unidade de medida, como o centímetro ou o quilograma). Quanto menor este número, melhor o carro “rasga” o ar, o que permite que menos esforço do motor seja feito para o deslocamento do carro.

Já o arrasto aerodinâmico é a força de resistência que o ar impõe ao deslocamento de qualquer corpo na atmosfera.

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Como usar os faróis quando estiver trafegando sob neblina.

Nas viagens pelas serras do Rio de Janeiro e em outros estados, nesta época do ano, são comuns as situações com ocorrência de neblina. O uso correto dos faróis pode atenuar os riscos de seguir viagem nestas condições, mas a principal regra é EVITE viajar sob neblina. Quanto mais densa a neblina estiver, maiores serão os riscos.

Caso a viagem for prosseguir, fique atento às regras:

NUNCA ligue o farol alto. O faixo alto dos faróis ilumina a neblina e a torna ainda mais opaca, reduzindo o alcance da visão (ou profundidade do campo visível, numa linguagem mais técnica).

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Nova campanha no rádio incentiva o uso do etanol, ela é realista?

Mais uma vez entidades ligadas à indústria de cana-de-açúcar, principal (mas não o único) vegetal que dá origem ao etanol do Brasil, lançou recentemente uma campanha de incentivo ao uso de etanol nos veículos flex. Leitores ouviram a campanha no rádio e me perguntaram…

  1. O etanol faz o motor ficar mais potente?
  2. 100% do etanol consumido no Brasil é produzido aqui no país?
  3. O custo do quilômetro rodado com o etanol é menor do que usando gasolina?
  4. O etanol gera menos resíduos no motor que a gasolina?
  5. O etanol causava enferrujem (oxidação) interna nos motores a álcool da década de 1980, agora isso não acontece mais nos motores flex que usam etanol?
  6. O consumo (em km/l) do etanol é 30% maior que o consumo de gasolina?

Vamos às respostas:

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Desgaste de pneus, como reconhecer?

Vou voltar ao assunto, pois é relevante e requer conhecimento, para não correr riscos ao rodar com um pneu desgastado além do seu limite (ou ser abordado por um fiscal ignorante ou desonesto).

Todo pneu deve ser trocado quando a banda de rodagem se nivela às marcas TWI (Tread Wear Indicator, ou em tradução livre, Indicador de Desgaste da Banda de Rodagem), mesmo que a marca tenha sido atingida apenas de um lado do pneu (o que denota desgaste assimétrico) levando à insegurança do pneu.

As marcas têm a finalidade de indicar visualmente que um pneu, mesmo com sulcos visíveis, não tem mais condições de drenar a água de um asfalto molhado. Quando não há drenagem adequada, o pneu “flutua” sobre a lâmina de água, causando a famosa e indesejável aquaplanagem.

Para reconhecer o estado dos seus pneus, procure a marcação no “ombro” do pneu, que indica o alinhamento dos marcadores TWI. Se você não sabe achar as marcas TWI, procure por esta indicação triangular no ombro do seu pneu (ou mesmo a sigla TWI), como no exemplo na foto a seguir:

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FIAT lança no Brasil dois “híbridos leves”, do que se trata?

Há 3 anos publiquei aqui no BLOG um post explicando os tipos de carros híbridos existentes no mercado (leia em https://carrosemduvida.com/2021/11/17/ja-que-falamos-dos-hibridos-tambem-vamos-falar-sobre-os-carros-eletricos-que-estao-sendo-oficialmente-importados-e-vendidos-no-brasil/).

Volto ao assunto por conta dos dois lançamentos da FIAT, o Pulse e o Fastback, ambos na modalidade “híbridos leves”. Eles são assim classificados por terem um “pequeno motor” de 3kW, que atua em momentos específicos (e curtos) onde há mais necessidade de torque nas rodas, como por exemplo partidas, retomadas de velocidade e ladeiras íngremes.

Por ter períodos curtos de utilização, não requerem grandes e pesadas baterias. As que equipam o Pulse e o Fastback, são de íon lítio (tecnologia usada nas baterias de celulares) e cabem debaixo do banco do motorista. A bateria de 12V tradicional, segue dentro do cofre do motor.

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Seu carro ficou submerso na enchente? Nem tudo pode estar perdido!

Este é um checklist básico, que pode te ajudar a salvar seu carro de uma Perda Total (PT). Pode ser feito por qualquer um, com poucas ferramentas e conhecimento básico sobre manutenção automotiva, mas não tendo a pretensão de exaurir o tema, com tantas nuances que daria assunto para um livro inteiro….

Vou partir do cenário que o carro estava parado, desligado e foi pego pelas águas, sendo submerso até o teto. Depois que a água baixar, siga estes passos, que podem salvar seu carro da PT.

A primeira coisa é desligar a bateria. Na maioria dos carros ela está no cofre do motor. Se você conseguir abrir o capô sem abrir a porta do carro, será o ideal. Com a chave de boca adequada, desligue o negativo e o positivo da bateria. Por segurança, tire ela do carro.

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