Um leitor atento observou… é um câmbio EDC no Duster (Dacia)!

No post recente que falei do sistema inovador de tração 4×4 do híbrido Dacia (grupo Renault) Duster, não comentei que o câmbio automático era de dupla embreagem (EDC), ou seja, é um câmbio automatizado, não é automático.

Para quem não conhece e não leu o post aqui no blog sobre os tipos de câmbios automáticos (abril/2024) vale resumir:

  • As caixas de dupla embreagem são câmbios automatizados (não são automáticos), com dois eixos primários, com uma embreagem para cada eixo, permitindo que a central eletrônica “entenda” a vontade do motorista e engate a próxima marcha a ser usada, resultado numa troca de marchas muito rápida e eficiente (na condução esportiva).
  • Estas caixas não contam com o conversor de torque e, portanto, requerem os mesmos cuidados que as caixas manuais com embreagem de fricção (disco e platô), estes cuidados precisam ter observados em seu uso, para evitar desgaste prematuro dos elementos de fricção, tal como sustentar o carro parado numa ladeira sem o pé no freio, apenas pisando levemente no acelerador (prática imprópria também nos câmbios automáticos convencionais, mas com consequências diferentes e menos flagrantes).

Aqui no BLOG também publiquei um post informando como estes câmbios de dupla embreagem funcionam, com desenho esquemático que facilita o entendimento.

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Tração 4×4 a tecnologia avança…

Em 2021 um programa de TV trouxe o assunto TRAÇÃO 4×4 e gerou dúvidas aos leitores. O assunto é recorrente aqui no BLOG, mas não custa fazer uma atualizada rápida…

Tração nas 4 rodas quer dizer que o veículo recebe, no eixo dianteiro e no traseiro traseiro, a “força” do motor (no jargão popular). Recentemente o grupo Renault/Dacia inovou no segmento dos 4×4, criando um sistema inédito.

Nos 4×4 como eram os Jeeps Wyllis/Ford, fabricados aqui no Brasil até a década de 1980, havia uma diferencial traseiro, um diferencial dianteiro e uma caixa de transferência, acionada manualmente por alavanca no assoalho do Jeep, onde se podia escolher, tração traseira, tração 4×4 e tração 4×4 reduzida. O saudoso EE4 da ENGESA, também fabricado no Brasil, tinha o mesmo esquema, mas a caixa de transferência não tinha reduzida, as opções eram: tração traseira e tração 4×4.

Na mesma época, os Land Rover Defender, importados, tinham a tração 4×4 integral, ou seja, no lugar da caixa de transferência havia um diferencial central, o que permitia ficar com a tração integral (4×4) ligada o tempo todo. Este é um sistema mais caro de fabricar e de manutenção mais complexa (são 3 diferenciais…um dianteiro, um traseiro e um central).

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Piloto automático?

Desde os anos 1980 alguns carros de luxo já contavam com o “piloto automático” (como ficou conhecido aqui no Brasil). Os primeiros sistemas eram controles de velocidade de cruzeiro (cruise control, no jargão automobilístico americano). Sua adoção chegou aos carros de classe intermediária na década de 1990 e se popularizaram nos anos 2000 (nos EUA é difícil encontrar um modelo de carro novo que não conte com o sistema).

A nomenclatura brasileira pode enganar os desavisados, piloto automático de verdade seria o sistema que dirige o veículo de forma autônoma (já presentes nos sedãs da Tesla há mais de 10 anos). Estes estão cada vez mais aprimorados, com a incorporação de sistemas de reconhecimento de imagem mais precisos e algorítmicos de tomada de decisão baseados em IA (com computadores embarcados cada vez mais rápidos). Em alguns países, taxis com direção autônoma já prescindem da presença de um motorista.

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Estacionar um carro automático, mais uma lenda urbana na Internet.

Um “especialista” da Internet está ganhando muitos cliques na postagem do seu vídeo, que tenta criar um cenário de incerteza para os donos de carros automáticos, os quais, segundo ele “estacionam seus carros de forma errada”.

Dois amigos me mandaram o vídeo e perguntaram se fazia sentido, minha resposta é NÃO !

Não vou repetir aqui toda a sequência elaborada que ele propõe que seja feita a cada estacionamento. O procedimento dele não prejudicará nenhum câmbio automático, mas é absolutamente desnecessário.

Resumindo, segundo ele, ao estacionar e colocar a alavanca em P (parking) sem antes acionar o freio de estacionamento (ou de mão) causa desgaste prematuro do câmbio.

Antes de comentar, vou destacar alguns FATOS:

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Motores a álcool, qual a razão de terem saído do mercado?

Os motores a álcool começaram a ser fabricados no Brasil no final dos anos 1970, foram uma resposta do Brasil à crise do petróleo que atingiu o mercado mundial. Seu sucesso foi imediato, chegando a representar mais de 90% dos veículos novos vendidos no mercado interno. Entretanto, na década de 1980, o PRÓ-ÁLCOOL caiu em descrédito, quando o etanol faltou nos postos (reflexo do cenário, mercado e safra).

Nos anos 1990 a tecnologia FLEX, também capitaneada por empresas brasileiras, chegou ao mercado, com carros que podiam consumir qualquer proporção de etanol ou gasolina, misturados ao gosto do motorista. A confiabilidade e a praticidade do sistema mascararam uma verdade, um carro FLEX não está otimizado para gasolina ou para o álcool, ele é uma solução “em cima do muro”, que privilegia a segurança do abastecimento, mas não a eficiência energética. A solução caiu nas graças do mercado, que já não queria mais carros a gasolina ou a álcool, queria carros flex.

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Embreagem nos carros de câmbio manual. Usar bem evita despesas desnecessárias.

Em 2014 abordei o tema embreagem no post https://carrosemduvida.com/2014/12/10/mitos-e-verdades-da-internet-1-manter-o-pe-na-embreagem/ tratando de mitos que estavam sendo divulgados na Internet. No post confirmei que a prática de deixar o pé sobre o pedal da embreagem é nociva ao sistema e que deve ser evitada.

Desta vez venho alertar que, ainda mais nocivo para a embreagem, é “segurar” o carro numa ladeira usando o acelerador e a embreagem. Nestes casos, o carro fica parado na ladeira já que o motorista vai modulando os pedais do acelerador e da embreagem, fazendo com que o disco e o platô de embreagem deslizem e aqueçam de forma inadequada, causando danos às duas superfícies, com desgaste prematuro, e, consequentemente, despesas extras de manutenção.

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Limpador no vidro traseiro, qual a razão de alguns modelos de carros não terem?

Numa conversa entre amigas, uma questionou a outra, por qual razão alguns carros não têm limpador no vidro traseiro e outros serem equipados com este “acessório”. A Fernanda, que é minha amiga e fez parte de conversa, me mandou a pergunta e respondo aqui, com razões econômicas e técnicas.

Por muitos anos, carros que precisavam de limpadores nos vidros traseiros não saiam de fábrica com este “acessório” por uma questão de economia. Em 1991 comprei um Uno Mille zero km, o carro mais barato do Brasil naquele ano, e o carrinho vermelho não tinha limpador no vidro traseiro (o vidro ficava opaco em estradas empoeiradas e em dias de chuva), era horrível dirigir nestas condições, não vendo nada para trás…

Mas há questões técnicas e práticas, os carros do tipo “hatch” (sem bunda, ou dois volumes) ao se deslocarem, formam na traseira um turbilhão de ar que arrasta poeira e água (na chuva) de volta para a carroceria do carro, ou seja, o turbilhão suja o vidro traseiro, daí a necessidade do limpador de “para-brisa” traseiro. Veja o diagrama na figura a seguir.


Já nos carros sedã (três volumes, ou com bunda) o ar escoa por cima do porta malas e o turbilhão é menor e mais longe do vidro traseiro, e por isto não acumula muita sujeira ao andar na chuva ou na poeira, e pode prescindir do limpador traseiro. Veja o diagrama a seguir.

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Peso, cargas e desempenho.

Um dos posts mais visitados no meu BLOG antigo é o que trata de Peso em Ordem de Marcha e de Peso Bruto de um veículo (veja em http://carrosemduvida.blogspot.com.br).

O tema voltou a mim recentemente numa conversa com conhecidos. Prometi atualiza e repostar, falando sobre a influência do peso e da carga no desempenho de um carro. Esta é uma dúvida recorrente, e antecipo, a influência é grande.

O desempenho de um carro depende de muitos fatores, os principais são:

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Mais uma tecnologia de carro híbrido chega ao Brasil.

Em novembro de 2021 publiquei aqui no Carro Sem Dúvida um post explicando os tipos de híbrido que já funcionavam no Brasil. Relembrando…

O híbrido mais frequente é o “full hybrid”, que tem um motor a combustão que participa da tração do veículo (movimento) e também aciona um gerador que carrega as baterias de tração, estas (um grande conjunto) aciona um motor elétrico, capaz de movimentar sozinho o carro, quando as baterias estão carregadas. Os carros híbridos tecnicamente mais evoluídos são capazes de gerenciar a força dos dois motores (combustão e elétrico) para, em conjunto, otimizarem a performance ou a economia do carro. Nestes carros a energia das frenagens é convertida em carga elétrica para as baterias, otimizando a condução destes híbridos principalmente no trânsito urbano.

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Coeficiente aerodinâmico, o que é e como influencia na performance do seu carro?

Cx é o coeficiente de arrasto aerodinâmico e é determinado pelas formas da carroceria do carro. Descrição complicada? Mas é simples de entender…. (as figuras a seguir vão ajudar).

O Cx é medido por um número adimensional (não tem unidade de medida, como o centímetro ou o quilograma). Quanto menor este número, melhor o carro “rasga” o ar, o que permite que menos esforço do motor seja feito para o deslocamento do carro.

Já o arrasto aerodinâmico é a força de resistência que o ar impõe ao deslocamento de qualquer corpo na atmosfera.

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