Renault Kwid 2018, 1.0, 3 cilindros, flex, 5 marchas.

O pequeno Kwid 2018 era, para mim, uma curiosidade desde seu lançamento. Pequeno e bonitinho, com preço baixo (para os padrões brasileiros) ele se tornou um “arroz de festa” nas ruas. No Rio você vê Kwids em qualquer lugar, apesar do pouco tempo de lançamento (comparado com seus concorrentes mais diretos, os Fiats Uno e Mobi).

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O pequeno carro é uma agradável surpresa desde a apresentação na locadora. Chave com controle remoto das portas, travas elétricas nas 4 portas, vidros elétricos nas dianteiras, comandos internos para abrir porta-malas e tampa de gasolina, rádio com blue-tooth e USB (qualidade do som é medíocre), alarmes sonoros para falta de cinto e luzes esquecidas acessas, e um interessante sistema de indicação da hora certa de trocar as marchas, tudo remete a um carro maior e mais caro.

A posição de dirigir é ótima, com volante bem posicionado (sem qualquer regulagem) e pedais com perfeito espaçamento.

Os materiais de revestimento interno, entretanto, bem ao gosto da Renault, não deixam esquecer que estamos num carro da base da pirâmide… Já o porta-malas é uma surpresa positiva, é grande para o tamanho do carro. No banco traseiro viajam dois adultos, mas o espaço é reduzido para as pernas.

Ao ligar o motor, um ronco diferente do normal se apresenta. Nada que incomode, mas ele é aspero e, nas altas rotações, é acompanhado por uma vibração desagradável. Esta característica, entretanto, é “abafada” pela ótima performance do carrinho. Não parece um 1.0. O Kwid se sai melhor que os Fiat 1.4 que dirigi (Uno e Palio). Com bom torque e respostas rápidas, é um carro nascido para a cidade.

A suspensão alta lida bem com buracos e quebra-molas (lombadas). A ideia de um “SUV” dos compactos é plausível. Não resisti e andei alguns quilômetros em estradas de terra. O Kwid surpreende pela agilidade, facões e valetas são vencidas com desenvoltura, a boa altura com relação ao solo ajuda bastante.

A suspensão dura transmite bem as irregularidades à carroceria, mas não há perda de dirigibilidade. A carroceria alta tomba um pouco nas curvas de alta velocidade, mas, da mesma forma, não se perde dirigibilidade.

Não há ruídos na suspensão, para um carro que já andou mais de 21.000 km na mão de muitos motoristas. No trânsito leve de Brasília e suas estradas próximas, o Kwid fez mais de 12 km/l de etanol, viajando sempre com o motorista e pequena bagagem. Andei acima do que seria o uso normal, imagino que no dia a dia, sem “testes”, ele faça marcas ainda melhores.

Pelo preço que está sendo anunciado, considero o Kwid uma boa compra para quem quer um carro para a cidade. É ágil, charmoso, prático e barato.

Para a Renault fica uma sugestão, lançar uma versão “premium”, com acabamento caprichado e opção de câmbio automático (atingiria os “órfãos” do Fiat 500, que deixou de ser vendido no Brasil).