MUSTANG 2022, 4 CILINDROS TURBO, AUTOMÁTICO, 10 MARCHAS.

Já publiquei um post neste blog quando dirigi um Mustang GT, V8… com mais de 400 HP, ele era um foquete esperado. Fiquei muito curioso, desde que a Ford lançou esta versão “de entrada”, com motor 2.3 litros, com turbo, e “meros” 27 mil dólares de preço. Queria saber se este motor daria conta do recado, mas logo descobri que, definitivamente DÁ !

Esta versão é um carro simples e barato (para os padrões americanos), custa o mesmo que um Honda Civic ou um Toyota Corolla (carros populares por lá…). A grande sacada está no prazer de dirigir e, por incrível que pareça, na economia de combustível (média de 8,5 km/l), mesmo num período de uso (370 km) onde além de me deslocar para trabalhar, também estava testando as habilidades do “foguete inesperado”. Nos testes padronizados, ele faz mais de 8 km/l na cidade e quase 12 km/l na estrada.

E, a partir desta constação, se pode entender a razão de haver tantos Mustangs desta versão nas ruas. Lá a maioria das famílias de classe média tem mais de um carro, ou seja, uma minivan ou SUV faz o papel de carro da família, para sair junta no final de semana, e aí vem o espaço ocupado pelo Mustang, levar um dos membros da família ao trabalho, sem precisar estar dirigindo um “meio de transporte” sem graça, como um Corolla, um Civic, um Chevrolet Malibu ou um Nissan Sentra (boring cars, se comparados ao Mustang).

Voltando à avaliação, o motor tem som marcante, com escape esportivo, os giros sobem rápido e há cinco opções de condução: normal, sport, race (corrida), track (arrancada) e snow (neve ou lama). Na opção sport o carro já se mostra rápido, mas é na opção track que as coisas beiram a insanidade, os freios dianteiros são exclusivamente acionados pelo pedal e o acelerador faz o giro subir e os pneus traseiros girarem e gerarem muita fumaça! O carro “sobe” nos freios dianteiros, que ao serem soltos, liberal o Mustang para, literalmente, saltar para a frente em aceleração vertiginosa, mas controlada pelos sistemas eletrônicos do carro (não tive coragem de desligar…). Nas condições ideais, o 0-100 leva pouco mais de 6 segundos…mostrando ao que vieram os 320 HP!

Não há opção de trocas manuais no rápido câmbio automático de 10 marchas, mas é difícil lembrar disto ao ver o funcionamento perfeito e seu casamento com o motor. No painel, diversas opções de telas, mas uma das mais interessantes é a da pressão do turbo, que passa facilmente das duas ATMs ao lançar o carro numa arrancada destas, fazendo a válcula de alívio assobiar ao se aliviar o peso do pé no acelerador.

Com porta-malas razoável e conforto para dois (e possibilidade de transportar mais dois adultos em curtas distâncias) o Mustang acaba sendo um brinquedo acessível, um bom meio de transporte e uma opção “quase” racional de segundo carro da família (lá nos EUA).

Detalhes como a marca Mustang projetada no chão, as opções de cor das luzes internas, os controles ao estilo avião, o banco do motorista com controles elétricos (sem memória), as portas com vidros sem moldura, o ar condicionado digital dual-zone, volante regulável em altura e profundidade, o sistema multi-media de boa qualidade (apesar de customizado para i-Phones e eu uso Android), os bancos de couro ecológico, os pneus 235.55.18″ (de preço razoável), a sua performance, economia de combustível e manutenção, tornaram o Mustang 2.3, quatro cilindros turbo um dos melhores carros que já dirigi, e certamente uma opção natural caso eu me mudasse para os EUA.

É impossível ficar indiferente ao Mustang, o único automóvel remanescente na linha da Ford (nos EUA os demais veículos da marca são SUVs e pick-ups).