Comprar um híbrido usado?

Minha amiga Gabi andou num carro hidrido comprado usado pelo motorista, ainda pouco rodado e dentro da garantia (do carro em geral e das baterias). Ela, impressionada com o que ouviu, me perguntou o que eu achava, se uma compra destas valia a pela, pois o motorista disse que tinha pago 140 mil reais, o carro fazia 17 km/l e que agora já valia mais do que ele pagou, por conta do galopante aumento da gasolina.

Para surpresa da minha amiga, discordei de quase tudo…inferindo que o carro ainda não é plug-in (na versão 2020), ou seja, o carro não pode ser carregado em carregadores residenciais ou comerciais, apenas o motor a combustão e o sistema regenerativo carregam as bateriais (isso quer dizer que todas as cargas que as bateriais recebem serão pagas pelo usuário).

Vamos por partes….

Já fiz um test-drive num Toyota Prius híbrido (ler post aqui no Blog), e não gostei. Não achei nenhuma razão plausível para alguém comprar aquele carro no Brasil naquele momento. O desempenho do Corolla não empolga (0 a 100 km/h em 12 segundos), consumo de gasolina na cidade de até 16 km/l e na estrada menos de 12 km/l (segundo a fábrica), ou seja, um carro para quem não viaja. Também acho improvável que um usuário comum consiga atingir este níveis de consumo. Para quem viaja, um Corolla só com motor a combustão faz fácil mais de 14 km/l na estrada.

As baterias do híbrido têm garantia longa (7 anos), mas requerem que TODAS as revisões tenham sido feitas nas concessionárias, a preços BEM salgados. Um kit de baterias novas custa mais de R$ 30 mil reais. Imagina revender este Corolla quando ele tiver 6 anos de uso…

Outro ponto importante é a obsolescência da tecnologia, que apesar da aplicada nos híbridos estar bem consolidada, ela foi rapidamente superada pela dos carros elétricos. Hoje vários já estão sendo vendidos no Brasil (Renault, Fiat, JAC, Mini, Audi, Porsche, Mercedez, etc). Um híbrido hoje sofre o fenômeno que ocorreu com o Blue-Ray, que ficou obsoleto antes de ganhar o market-share do DVD, sendo superado pelo streaming.

Vale lembrar, os elétricos de hoje tem autonomia de 350 a 500 km, performances vertiginosas em carros de passeio (vide post que fiz sobre o sedã Tesla Model 3) e permitem carregamento em casa ou nos carregadores rápidos públicos (a maioria 0800, uma estratégia de marketing que vem ajudando a aumentar a venda de elétricos na Europa e EUA).

Ainda é importante lembrar, a manutenção geral do Corolla híbrido é MUITO mais complexa que a de um Corolla convencional o que deve repercutir um custos altos.

Para não me alongar e não cansar os leitores, creio que já deu para ver que a minha resposta à pergunta do título é: EU NÂO…