Ford Focus 2.0 Flex, 2015/16, automatizado de 6 marchas e dupla embreagem.

Em Maio de 2014 publiquei uma avaliação de um Focus similar, mas as modificações feitas pela Ford nestes dois anos tornaram o Focus 2.0 um carro diferente, mais bonito e bem mais agradável de dirigir.

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Usei este novo Focus por uma semana e mais de 800 km no Texas. Os mais atentos devem estar estranhando… carro FLEX no Texas? Isto mesmo. Lá já é comum ver carros flex e não é difícil encontrar postos de combustível com o E85. Esta versão SE do Focus é equipada com um câmbio de seis marchas de dupla embreagem.

Ford Focus SE 2014

A versão SE do Focus 2016 é um avanço com relação àquela que avaliei em 2014. Este Ford que a locadora me entregou, estava com mais de 37.000 km rodados quando comecei a dirigi-lo.

O carro está bem mais esperto, responde muito rápido ao acelerador e dá prazer de dirigir. A direção hidráulica é precisa, mas não é um destaque, comparando com outros carros da mesma categoria. Não há mais nesta versão SE os opção de mudar do modo D (Drive) para o S (Sport) na seletora do câmbio. Já o câmbio de 6 marchas é bem escalonado e ajuda a manter o motor sempre cheio. Partindo da imobilidade há uma certa lentidão ao partir, mas logo em seguida câmbio e motor se acertam e o Focus parte furioso.Chega aos 100 km/h em menos de 8 segundos. Um exemplo para os sedãs brasileiros….

Também não há mais a opção de trocas manuais. O botãozinho da troca foi substituído por um de auxílio para a descida de rampas. Útil para quem vai para as serras. A Ford trocou uma solução medíocre (o botão pequeno) por uma pior. Não ter a opção de troca manual. Não gostei da patinada que a embreagem já apresentava. Mesmo num carro de locadora isto não seria esperado num câmbio tão moderno.

O motor 2.0 com injeção direta é um avanço ao bom motor anterior. Também é silencioso em baixas rotações, mas mostra um ronco grave e agradável ao ser “cutucado” com um pé direito mais pesado. As acelerações são muito rápidas e o consumo de combustível é muito bom. No trânsito pesado de Houston o Focus fez uma média superior a 13,5 km/l de gasolina.

Abasteci com o E85 para saber como o motor se comporta. Não há diferença de funcionamento ou performance perceptível. O consumo médio caiu para cerca de 12 km/l (rodei menos de 200 km nesta condição que com gasolina pura, ou seja, a medição com E85 é menos representativa).  Vale lembrar que o E85 (85% de etanol) agora é mais barato que a gasolina pura!

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O Focus continua tendo carroceria bem construída e estrutura bastante rígida. Materiais de boa qualidade e bem encaixados causam boa impressão aos passageiros. Mas está todo mais simples que a versão de 2014. Ganhou uma tela no centro do painel para a camera de ré. Bem útil.

A suspensão continua macia, sem comprometer a estabilidade. O carro se comporta bem em altas velocidades em estradas abertas (pouco efeito de ventos laterais) e é bom de curva (muito melhor que o Corolla, por exemplo, seu concorrente direto).

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O acabamento interno é bom, com bancos de tecido e muitas firulas eletrônicas, mas não existem mais os charmosos spots de led distribuídos em pontos estratégicos para motorista e passageiro.

A mudança do desenho da traseira manteve o porta-malas espaçoso, mas a tampa ainda é pequena, dificultando o acesso. O banco traseiro rebatível 1/3-2/3 aumenta a possibilidade de levar cargas grandes.

Pontos fortes – desempenho, comportamento dinâmico, funcionalidade, consumo, eletrônica embarcada, desempenho do conjunto motor-câmbio, beleza.

Pontos fracos – embreagem patinando aos 38.000 km, espaço para as pernas no banco traseiro.