Ford Mustang GT, 5.0, V8, 6 marchas automático.

Este ícone americano, muito criticado, tem mais qualidades que defeitos. Não se fabrica um carro desde a década de 60, mantendo-o ao longo dos anos como best-seller, se ele não fosse bom como é.

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O poderoso V8, despeja ruidosa e furiosamente seus 435 HP nas rodas traseiras. Desligar o controle de tração é para os profissionais ou para os insanos. Na opção Comfort, ele fica quase um carro normal e nesta condição, pisar leve é necessário, pois se despejar potência nas rodas a frente levanta e o carro passarinha.

Com cerca de 40 mil km rodados, este GT já apresenta sinais do uso esportivo daqueles que o alugaram antes (nos registros alguém já tinha chegado perto do limite lateral do acelerômetro). Isto mesmo, o GT registra as suas peripécias. As seguradoras agradecem…não adianta dizer que estava fazendo a curva devagar, pois o sistema vai registrando seus limites.

As rodas de aro 18, os faróis de xenônio, as borboletas para trocas de marchas manuais, os repetidores de seta (no capô e nos retrovisores), a iluminação de cortesia em forma da logo do Mustang projetada no chão, as luzes internas de cores customizáveis, as soleiras iluminadas, o ruído grave, os botões do tipo aeronáuticos no painel, os bancos concha em couro bege e preto, as setas sequenciais, os veios proeminentes no capô e a traseira em fastback, fazem do GT um carro impossível de não ser percebido, mesmo rodando nos EUA, onde os Mustangs são figurinhas fáceis em qualquer rua.

Mas ao chegar ou sair de qualquer lugar o GT será percebido, pelos cegos (o ruído grave é massivo), pelos surdos (o vibração do grave som do motor será percebido em seus estômagos) e por todos os demais, que o acharão lindo ou cafona, mas não o deixarão de notar. Não é um carro para tímidos.

A dinâmica em linha reta é brutal, mas não espere muito nas curvas. Na verdade não tive a oportunidade de dirigir numa estrada sinuosa, mas nas esquinas ele mostra seu caráter “straight and foward”. Ainda assim é um carro feito para as estradas típicas americanas, longas retas e curvas suaves. Neste caso, o GT está em seu habitat natural e no topo da cadeia alimentar.

Muita eletrônica embarcada e acabamento perfeito completam o pacote, que custa nos EUA cerca de US$ 37 mil. Para um carro que chega aos 100 km/h em 4.5 segundos e tem máxima de limitada a 250 km/h, ele certamente é uma pechincha se comparado aos carros europeus de performance similar. Como ponto negativo importante está a localização do botão que liga e desliga o motor, fica no canto do painel central ao lado de vários outros botões de uso corrente, o que pode causar o desligamento do motor com o carro em movimento. Durante os cinco dias que estivemos com ele isto ocorreu duas vezes (sempre em baixa velocidade, felizmente). Para religar é preciso parar e colocar o câmbio e Parking. Um transtorno perigoso!

Em tempo, este é o terceiro carro esportivo com mais de 400 HP que dirijo (Ferrari Modena e Camaro SS V8 foram os anteriores, veja os posts). Apesar de ser o mais potente dos três e de ser o mais moderno, foi o que menos me empolgou. Entretanto ele é um carro altamente “comprável”, pois pode ser usado no dia a dia, custa pouco (para o que oferece) leva quatro pessoas com mais conforto que o Camaro, tem um porta-malas razoável e uma mecânica simples e barata (nos EUA).

Não tem a boa fama à toa…