Chevrolet lança modelos a etanol…faz sentido?

Depende…

Do ponto de vista fiscal, faz, pois há pequena redução de IPI nos carros que usam exclusivamente etanol, se comparados aos flex (etanol e gasolina).

Do ponto de vista legal, também, as metas de emissões da legislação ambiental brasileira, calcula as emissões pela média dos modelos 0km comercializados pelo fabricante, ou seja, um carro a etanol contribui MUITO para a queda da média, já que emite muito menos que um carro flex, ou a gasolina.

Do ponto de vista do mercado, também, já que os compradores que pretenderem instalar kits de GNV em seus carros, terão a conversão mais fácil e potencialmente mais barata, pois ela vai requer menos adaptações (nos carros flex, os kits mais modernos exigem que o convertedor limite a central de comando do motor a consumir apenas etanol como combustível líquido, não sendo mais possível abastecer com gasolina).

Do ponto de vista da Engenharia Automotiva, NÃO, considerando que a Chevrolet adotou o caminho mais simples, o de ajustar os componentes de controle eletrônico do motor para consumir apenas etanol, não alterando componentes mecânicos.

Explico: o motor flex, apesar de sua conveniência de escolha do combustível pelo motorista, poderia ser comparado a um pato, que pode nadar, mas não é o melhor nadador, pode voar, mas não é o melhor voador, ou seja, faz de tudo, num padrão abaixo do ideal. O motor flex, o “pato” dos motores, consome qualquer mistura entre etanol e gasolina, mas em NENHUMA proporção está num ponto otimizado.

A Chevrolet pegou seus motores flex e alterou apenas a central (computador) e demais componentes eletrônicos, mas sem mexer em nenhum componente mecânico, ficando distante do motor ideal, totalmente ajustado para etanol (o primeiro passo necessário seria o aumento da taxa de compressão). Como resultado, seus motores a etanol repetem os números dos motores flex que lhes deram origem (quando são testados apenas com etanol).

Para a Chevrolet (e para as outras montadoras) é a oportunidade de sentir se o mercado reagirá bem à esta opção. Frotistas cujas empresas tenham preocupação ambiental, poderão se interessar, já que os carros a etanol, que emitem MUITO menos, poderão entrar com destaque em seus relatórios de ESG.

O tempo dirá.