Em 2021 um programa de TV trouxe o assunto TRAÇÃO 4×4 e gerou dúvidas aos leitores. O assunto é recorrente aqui no BLOG, mas não custa fazer uma atualizada rápida…
Tração nas 4 rodas quer dizer que o veículo recebe, no eixo dianteiro e no traseiro traseiro, a “força” do motor (no jargão popular). Recentemente o grupo Renault/Dacia inovou no segmento dos 4×4, criando um sistema inédito.
Nos 4×4 como eram os Jeeps Wyllis/Ford, fabricados aqui no Brasil até a década de 1980, havia uma diferencial traseiro, um diferencial dianteiro e uma caixa de transferência, acionada manualmente por alavanca no assoalho do Jeep, onde se podia escolher, tração traseira, tração 4×4 e tração 4×4 reduzida. O saudoso EE4 da ENGESA, também fabricado no Brasil, tinha o mesmo esquema, mas a caixa de transferência não tinha reduzida, as opções eram: tração traseira e tração 4×4.
Na mesma época, os Land Rover Defender, importados, tinham a tração 4×4 integral, ou seja, no lugar da caixa de transferência havia um diferencial central, o que permitia ficar com a tração integral (4×4) ligada o tempo todo. Este é um sistema mais caro de fabricar e de manutenção mais complexa (são 3 diferenciais…um dianteiro, um traseiro e um central).
Os dois sistemas convivem no mercado até hoje, cada um com as suas vantagens e desvantagens. Vale ainda lembrar que muitos veículos 4×4 não são feitos para o offroad, são desenvolvidos para andar em terrenos de baixa aderência (como estradas com neve) e pisos muito molhados, onde a tração integral faz com que estes carros sejam mais seguros. Os carros japoneses da Subaru e os alemães da Audi (Quattro) são os exemplos clássicos, que popularizaram a tração 4×4 para sedãs, hatches e crossovers.
Mas a engenharia automotiva não parou, e alguns carros elétricos passaram a oferecer tração 4×4, dotando os eixos dianteiro e traseiro com seus respectivos motores elétricos, devidamente controlados por um complexo sistema eletrônico. O exemplo mais longevo é o Tesla, nas versões mais caras há motores também no eixo traseiro, dando ao carro mais potência e dirigibilidade.
Mais recentemente, na Europa, a Dacia lançou seus híbridos 4×4, com uma solução inovadora. O motor a combustão aciona o diferencial dianteiro, já um motor elétrico entra em cena através do eixo traseiro, em situações onde há pouca aderência no solo ou necessidade de potência extra (o uso é projetado para demandas curtas e a bateria de 48V é pequena e leve). O Dacia Duster e o Dacia Bigster, oferecem esta opção na gama de modelos disponíveis na Europa. Como a Dacia é uma subsidiária da Renault, este sistema de tração deve chegar ao Brasil em um dos modelos do novo SUV Boreal, que já está à venda, mas ainda sem esta opção.
Por lá e por aqui, estes 4×4 não foram feitos para o offroad pesado. Com a popularização dos SUVs, alguns 4×4 urbanos são confundidos com veículos “fora-de-estrada”. Este é um risco enorme para o bolso do proprietário…um Honda CRV 4×4, um Audi Q5 4×4, um BMW ou Mercedes AWD (all wheel drive), ou um Kia Sportage ou Sorento 4×4, não devem ser colocados “na trilha”. São veículos capazes de andar melhor que um Ford Ka (tração dianteira) numa estrada de terra ou enlameada, mas não foram projetados para as trilhas mais remotas e acidentadas. A chance de ficar pelo caminho será grande e o prejuízo idem.