O ato de comprar um carro zero km envolve pelo menos três lados, o financeiro, o racional e o emocional. Para muitos o último acaba dominando e levando à uma compra da qual o proprietário pode se arrepender no médio e longo prazos.
Vamos analisar cada lado:
Financeiro – antes de decidir por qual carro comprar é preciso saber qual o orçamento disponível, estabelecendo um teto de gastos que seja compatível com a reserva financeira do comprador, a sua capacidade de pagar mensalidades (no caso de financiar) e os seus demais objetivos para o dinheiro que tem guardado. Não se pode esquecer que além do valor da compra (a vista) ou da entrada (financiamento) haverá outros gastos (como emplacamento, IPVA, seguro e acessórios), eles podem somar facilmente o equivalente a 10% do valor total do carro comprado (ou seja, num carro de 110 mil reais de preço, as despesas extras podem passar de 11 mil reais). É também importante saber o histórico de desvalorização do tipo de veículo escolhido, comparando o preço tabelado do carro 0km com o do mesmo modelo já com 3 a 5 anos de uso (uma depreciação mais acelerada vai impactar na hora de trocar por outro 0km daqui há algum tempo). Estimar os custos de manutenção ao longo dos anos é fator importante, assim como saber qual o valor do seguro para o seu perfil.
Racional – saber que tipo de utilização o carro terá ajuda a fazer boas escolhas. Comprar uma picape 4×4 para quem nunca vai para fora do asfalto, não anda na neve e não transporta cargas pesadas, não será uma escolha racional. Neste caso. o gasto com um veículo caro pode não compensar no uso diário. Escolher um carro grande quando ele será usado prioritariamente sozinho e sendo estacionado em locais movimentados e com pouca disponibilidade de vagas, pode ser uma opção inconveniente e pouco prática. Colher informações sobre a sobrevida do modelo que você está cogitando comprar é importante, saber se a versão do ano seguinte já saiu também (agora em Maio/2025 há muitos modelos 2026 já disponíveis nas concessionárias). Para optar por um modelo 2025/2025 o desconto com relação ao modelo 2025/2026 precisa ser grande, afinal, na hora da venda o 25/25 será cotado como 25 e o 25/26 será cotado como 26).
Emocional – para quem gosta de dirigir como eu, é difícil isolar a componente emocional, carros com desenho moderno, esportivo, marca de prestígio, boa imagem no mercado, prazer ao dirigir, bom desempenho, percepção de qualidade e muitos outros fatores, podem fazer com que os fatores de decisão pesem mais por este terceiro caminho, deixando (perigosamente) os outros dois em segundo plano. Há que ter cuidado, pois esta é a vertente mais explorada pelos hábeis vendedores das concessionárias.
Vale sempre a máxima – não compre carro que não tenha dirigido! Faça um test-drive!