O BMW X2 fabricado na Alemanha que aluguei, ano modelo 2025, batizado de xDrive28i, tem tração integral do tipo AWD (all wheel drive, ou em tradução livre, tração em todas as rodas), tem quatro portas e está mais para um hatch bombado do que para um SUV, como é categorizado no mercado americano e brasileiro. Os pneus são 245/45R H e o câmbio automático convencional é de 8 velocidades. A garantia de fábrica é de 48 meses nos EUA. Os materiais de acabamento do interior são de ótima qualidade, os bancos de couro e há filetes de led no painel e nas portas, o que dá charme e sofisticação ao habitáculo.

O teto é fixo, de vidro, mas há um sun-shade de acionamento elétrico muito conveniente em dias de Sol forte. O painel digital, de dois módulos interligados, tem alta resolução e gráficos dinâmicos elaborados, entretanto, seu uso não é intuitivo e faltam funções básicas, comuns em carros bem mais baratos vendidos nos EUA e no Brasil.

O câmbio de 8 marchas é bem escalonado, mas é um exagero para um carro tão leve (1,7 ton) e um motor 2.0 turbo com tanta potência (mais de 240 HP) e torque alto e curva plana. O motor responde excepcionalmente às pisadas mais fortes no acelerador, promovendo acelerações vertiginosas. Já o câmbio fica indeciso nas reduções de velocidade, sem carga no pedal do acelerador, levando o X2 a dar umas “engasgadas” desagradáveis. Como não há trocas manuais de marchas (nem no volante nem na alavanca de câmbio, o problema acaba acontecendo toda hora e não há muito o que fazer.

O espaço interno é bom para quatro adultos, no banco de trás há descanso central retrátil, com porta copos. Os cintos de segurança dianteiros não têm regulagem de altura e machucaram o meu pescoço. Desconfortável. O console central tem carregador de celular por indução. O porta-malas acomoda bem duas malas médias e duas malas de bordo, ainda sobrando algum espaço. Como é um hatch/SUV, os bancos traseiros rebatem, transformando o X2 num transporte para tralhas volumosas. Os bancos dianteiros contam com regulagem elétrica, já os traseiros contam com ISOFIX para cadeirinhas. A projeção da marca BMW no chão ao se abrir a porta é um chame, mas também é muito útil, assim como as luzes internas que iluminam os pés dos passageiros.

Apesar do desempenho excelente, o consumo de combustível é bem baixo, nos mais de 1.000 km que rodei com o X2, boa dividindo transito de cidades e estradas, a média foi de 13,4 km/l de gasolina comum, segundo o computador de bordo. Rodando a mais de 110 km/h em estrada plana, com 3 passageiros, malas e ar condicionado ligado, o X2 ainda marca impressionantes 16,7 km/l no computador de bordo.
Por falar nele, o dispositivo conta com poucas funções, e não é amigável. Faltam funções úteis para motoristas mais atentos aos parâmetros de desempenho do carro. Já o sistema start-stop funciona bem e ajuda na economia de combustível, como deveria ser. O sistema multimídia é de ótima qualidade, a qualidade do som é excelente, incluindo GPS (com indicação de tráfego no trajeto, mas relativamente impreciso com relação à real posição do X2 na via). O sistema semiautomático de estacionamento, não funciona bem, chega a ser irritante e desisti de usar (mesmo que só por curiosidade).

No comando da direção o carro agrada, respondendo bem ao volante e ao acelerador, o X2 é bastante estável, mas não tive oportunidade de dirigir numa serra sinuosa para, “de fato”, avaliar esta característica. A falta da troca manual de marchas me desagradou, principalmente nas situações que o câmbio vacila, nas baixas velocidades.

Faróis e lanternas são de LED, mas não há faróis ou lanternas de neblina, a chave destrava a porta por aproximação e a trava por afastamento do carro. A partida pode ser dada com a chave no bolso. A tampa do porta-malas se abre e se fecha automaticamente, um conforto para mãos ocupadas. O sistema de manutenção de faixa é discreto no alerta e na ação de correção, já o alerta de colisão é bem eficiente.

Em resumo, o X2 é um bom carro, que vale os USD 43.000 que custa nos EUA, mas não me empolgou, esperava diferenciais mais marcantes entre ele e os carros nacionais que tenho usado. Faltam itens de eletrônica embarcada já comuns por aqui, a péssima ergonomia dos cintos de segurança dianteiros é imperdoável num carro desta estirpe e preço (no Brasil custa cerca de R$ 310 mil).