O caso de um amigo, proprietário de Toyota, e do meu filho (ex-proprietário de uma Ranger, me chamaram a atenção de que coisas aparentemente óbvias precisam ser observadas, para não se cair em armadilhas ou gerar grandes prejuízos.
A primeira coisa a recomendar é: SEMPRE leia as condições para manter a garantia de fábrica.
Muitos proprietários negligenciam quilometragem e prazos e perdem a garantia. No Brasil temos carros com 1 ano, 3 anos, 5 anos e até 6 anos de garantia de fábrica, mas há condições explícitas no manual do proprietário que precisam ser observadas, todos os fabricantes estabelecem que a manutenção da garantia de fábrica depende de que as revisões programadas sejam feiras ao se atingir a quilometragem pré-determinada (10 ou 12 mil km) ou no prazo (normalmente feita a cada 12 meses), o que ocorrer primeiro.
A segunda coisa a recomendar é: SEMPRE fazer as revisões nas concessionárias da marca, fazer as verificações programadas em manual numa oficina de sua confiança que não seja concessionária do fabricante, cancela a garantia de fábrica.
Por conta dos preços e da postura pouco ética de muitas concessionárias, muitos proprietários desistem de levar seus carros para as revisões programadas, mas os cuidadosos fazem os serviços programados na sua oficina de confiança, mas esquecem que a garantia será perdida. Vale lembrar, um dano mais sério no motor ou câmbio pode custar CARÍSSIMO para ser reparado fora da garantia, e as revisões programadas nem sempre evitam que eles ocorram.
A terceira coisa a recomendar é: NADA é obrigatório a ser feito em uma revisão programada além do estabelecido em manual.
É muito comum que recepcionistas inescrupulosos “empurrem” serviços caríssimos para que os proprietários gastem MUITO mais que os valores relativos à manutenção de rotina, prevista em manual. Não aceitar estes serviços extras não afeta a continuidade da garantia de fábrica. Diga NÃO à picaretagem institucionalizada em MUITAS concessionárias.
Dito isto, conto agora os dois casos que motivaram este meu post.
Meu filho tinha uma Ford Ranger 2.2 diesel 4×4, comprada 0km no início de 2020. Fez TODAS as revisões programadas na concessionária Ford no Rio de Janeiro. Vendeu a Ranger (que tem 5 anos de garantia) em novembro/2024, ainda dentro da garantia. A Ranger, que NUNCA deu problema algum, dois dias depois de vendida, apareceu um barulho estranho no motor, foi levada à concessionária e uma mangueira do turbo foi identificada como danificada e trocada sem custo, em garantia. O problema era pequeno, mas se fosse algo maior, a perda de garantia seria um enorme prejuízo.
Meu amigo PS, dono de dois Toyotas, levou seu Yaris para a primeira revisão, o carro estava 4 mil km rodados, mas com 18 meses de uso. A garantia já estava cancelada. Ele optou por pagar uma taxa de revalidação da garantia, pagou pela mão de obra da primeira revisão e pelas as peças trocadas. Até aí o prejuízo foi pequeno (apenas a taxa e a mão de obra), mas aí veio a pérola do recepcionista (me recuso a qualificar o cara como “consultor técnico”), disse ele ao meu amigo: “o senhor TEM que optar por um dos 3 pacotes de serviços, ouro, prata ou bronze (1.700, 1.200 e 800 reais, respectivamente), serviços que numa oficina séria sairiam por menos de 400 reais, um verdadeiro ASSALTO institucionalizado.
Em resumo, ficam aqui as minhas principais recomendações:
1- faça as revisões programadas nas concessionárias, na quilometragem ou prazo determinados no manual (o que ocorrer primeiro), para manter a garantia de fábrica.
2- não aceite serviços extras durante as revisões (eles costumam ser caríssimos e muitas vezes desnecessários).