O leitor Renan me escreveu:
“… Tenho um compass 2017 diesel com 78mil Km rodados, semana passada fiz a troca da bateria e logo em seguida a luz da injeção eletrônica acendeu, como isso notei o carro mais fraco, não passava de 120 Km/h. Logo em seguida, levei em uma oficina para apagar o erro, o carro rodou por mais 30 Km e ultrapassou os 120 Km/h, porém a luz da injeção acendeu novamente e o carro perdeu mais potência do que antes, chegando agora até 100 Km/h e sofrendo em subidas. Saberia informar se é problema na turbina ou alguma sugestão? É comum esses problemas no Compass?…”
Este é um problema que, à distância, é difícil diagnosticar, mas podemos fazer algumas considerações:
- Se o problema aconteceu depois da troca da bateria, é sinal que alguma configuração da “centralina” foi perdida.
- Se depois de passar o scanner a luz apagou, e o funcionamento do motor voltou ao normal, reforça a tese de que é um problema de configuração.
- Se depois de 30 km o problema voltou ainda maior, denota que a centralina deve ter entrado em modo de segurança, garantindo o funcionamento do motor, mas com limitação, ou seja, aparentemente não é um defeito físico com a turbina ou com qualquer outro componente mecânico, e sim um problema eletrônico (provavelmente de configuração).
A troca da bateria parece um procedimento simples, mas requer atenção e cuidados. Quando feito em carros modernos, totalmente controlados por sistemas eletrônicos e computadores, uma pequena centelha entre os polos positivo e negativo, num descuido de quem faz a troca, pode causar sérios danos aos sistemas eletrônicos do carro.
Vale lembrar, como a turbina do Compass é de geometria variável, conta com um sistema eletrônico para ajustar os parâmentros dinâmicos da turbina às condições de uso do carro em cada situação, ou seja, o problema de falta de potência, provavelmente está relacionado à eletrônica e deve ser diagnosticado (e talvez resolvido) com um scanner que dê acesso completo às configurações do Jeep (o que nem sempre acontece com os scanners multiuso adotados por oficinas multi-marcas).
Também é bom ficar atento: são recorrentes os problemas com as turbinas de geometria variável dos motores do grupo Stellantis (ex: Renegade, Compass, Toro, Pulse), quando há acúmulo de carbono (excessos da combustão incompleta) que se acumulam no impelidor do turbo (o lado ligado ao coletor de escapamento do motor). A troca de filtro de ar no tempo certo, e uso de combustível de boa qualidade ajudam a evitar o problema. Manter o motor dentro dos parâmetros de fábrica, idem.
Este não deve ser o caso do seu turbo Renan, mas custa pouco verificar como está a limpeza do turbo, a regulagem da válvula e os parâmetros de fábrica (tudo verificado com o turbo numa bancada de teste, fora do motor do Jeep). Boa sorte!